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Cerca de 30% do Cadastro Único é composto por MEIs

Nos últimos anos, um movimento tem se fortalecido no Brasil: os programas sociais estão se tornando uma verdadeira porta de entrada para o empreendedorismo e a geração de renda. Esse crescimento é visível em números que mostram uma nova realidade para milhões de brasileiros.

Um dado que se destaca é que cerca de 2,6 milhões de pessoas abriram um CNPJ após se inscreverem no CadÚnico, enquanto aproximadamente 1,9 milhão já eram microempreendedores individuais (MEIs) antes de aderirem aos programas sociais. Para o Sebrae, esses números mostram que políticas públicas de assistência podem realmente ajudar as pessoas a conquistar maior autonomia financeira.

O presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, ressalta que esses programas são fundamentais para estimular pequenos negócios pelo país. Para ele, o empreendedorismo desempenha um papel essencial na inclusão social e na geração de renda. O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, também enfatiza que o CadÚnico vai além da assistência; ele abre portas para qualificação profissional, acesso a crédito e programas que ajudam na inclusão produtiva.

Ao olhar mais de perto para quem se torna MEI pelo CadÚnico, a pesquisa revela que a maioria são mulheres, que representam 55,3% do total. Além disso, 64% dos empreendedores são pessoas não brancas, e mais da metade pertence a famílias com três ou mais integrantes. A faixa etária mais comum entre esses empreendedores é de 30 a 49 anos, representando 53% do total. E um dado interessante é que cerca de 51% dos que atuam como MEI têm pelo menos o Ensino Médio completo.

Quando se trata de setores, os serviços se destacam como a principal atividade econômica entre os microempreendedores do CadÚnico. Aproximadamente 54% atuam nesse segmento, seguido por 26% no comércio e 10% na indústria. O Sebrae explica que o setor de serviços exige um investimento inicial menor, o que facilita a entrada de pessoas com menor renda nesse mundo do empreendedorismo.

Formalizar-se como MEI traz uma série de vantagens, como a emissão de nota fiscal, acesso facilitado a crédito e até a contribuição para o INSS, que pode garantir uma aposentadoria no futuro. Além disso, ter um CNPJ abre oportunidades para prestar serviços e firmar contratos formais.

A relação entre o Bolsa Família e o empreendedorismo também merece destaque. Dados do governo indicam que mais de 2 milhões de famílias deixaram o Programa Bolsa Família em 2025. Desses, cerca de 1,3 milhão saiu após um aumento na renda familiar, enquanto aproximadamente 726 mil encerraram o benefício devido à chamada regra de proteção, que permite que famílias continuem recebendo parte do auxílio por um tempo, mesmo com aumento de renda.

O Cadastro Único, criado para identificar famílias de baixa renda, evoluiu e agora concentra o acesso a diversas políticas públicas, como assistência social, habitação e programas de inclusão produtiva. Isso mostra que o CadÚnico vai muito além dos benefícios sociais.

O crescimento do número de microempreendedores individuais no Brasil continua acelerado. O modelo de MEI foi criado para facilitar a formalização de pequenos empreendedores, oferecendo uma tributação simplificada e a possibilidade de um faturamento anual reduzido.

Especialistas defendem que é fundamental integrar assistência e empreendedorismo. Os dados reforçam essa ideia, mostrando que famílias que antes dependiam exclusivamente de benefícios sociais agora buscam renda própria por meio do empreendedorismo. Essa mudança de perfil é um sinal positivo de que as políticas de geração de renda estão começando a fazer a diferença na vida dessas pessoas.

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