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Governo intensifica análise com novas iniciativas

O INSS está em um esforço constante para acelerar a análise dos processos, e por isso tem adotado medidas mais rígidas, ampliado mutirões e investido em tecnologia. Apesar disso, a situação ainda gera muitas críticas e preocupações entre os segurados.

Desde junho de 2021, o INSS se comprometeu a cumprir prazos máximos para a concessão de benefícios, fruto de um acordo com o Ministério Público Federal durante a pandemia. Esses prazos variam de acordo com o tipo de benefício solicitado. Por exemplo, o salário-maternidade deve ser analisado em até 30 dias, enquanto a aposentadoria por incapacidade permanente tem um prazo de 45 dias. Benefícios como pensão por morte, auxílio-reclusão e auxílio-acidente têm até 60 dias para serem concedidos. É importante lembrar que, se o INSS ultrapassa esses prazos sem culpa do segurado, pode ser obrigado a pagar correção retroativa.

Entretanto, o próprio INSS reconhece que muitos dos atrasos ainda estão relacionados a pendências documentais causadas pelos segurados. Atualmente, cerca de 460 mil processos estão nessa situação, com problemas comuns como falta de documentos e informações incompletas. Por outro lado, o instituto recebe aproximadamente 1,3 milhão de novos pedidos todo mês, o que mantém o sistema sob pressão.

Para tentar melhorar o atendimento, o INSS realiza mutirões em suas agências, principalmente nos finais de semana. Esses eventos incluem perícias médicas, avaliações sociais e análise de processos acumulados. Em 2026, foram realizados mais de 150 mil atendimentos de perícia médica e cerca de 38 mil avaliações sociais. No entanto, especialistas afirmam que, apesar desses esforços, o impacto ainda é pequeno em relação à fila de espera.

Uma das inovações que o INSS tem utilizado é a telemedicina para a realização de perícias. Isso acontece principalmente em regiões onde há poucos peritos disponíveis. Atualmente, cerca de 700 agências estão usando esse sistema, e quase 100 mil atendimentos remotos foram feitos em 2026. Essa abordagem busca reduzir o deslocamento dos segurados e acelerar a análise de benefícios por incapacidade.

Além disso, o INSS implementou um Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB), que funciona como um incentivo financeiro para servidores e peritos. Eles recebem bônus para analisar novos requerimentos e revisar processos acumulados. Até agora, mais de 1 milhão de tarefas já foram concluídas neste ano, mas, segundo especialistas, os resultados ainda não foram suficientes para diminuir de forma significativa a fila.

Uma mudança importante foi a atualização do sistema Atestmed, que analisa atestados médicos. Desde março de 2026, o prazo máximo de afastamento autorizado sem necessidade de perícia presencial aumentou de 60 para 90 dias. Isso significa que trabalhadores podem solicitar benefícios por incapacidade temporária apenas enviando documentos médicos online, o que facilitou bastante o processo. O tempo médio de análise, por exemplo, caiu para cerca de 10 dias.

Outra novidade é a Instrução Normativa 203, que restringe a abertura de novos pedidos enquanto um pedido anterior ainda estiver em análise ou houver prazo aberto para recurso. Essa medida visa reduzir a sobrecarga no sistema e evitar que as análises sejam duplicadas.

Apesar de todas essas medidas, o INSS ainda enfrenta desafios internos. Em abril de 2026, houve uma troca na presidência do órgão, com Ana Cristina Viana Silveira assumindo o cargo após a saída de Gilberto Waller Jr. Essa mudança reflete a pressão do governo federal para que a fila previdenciária diminua mais rapidamente.

Além disso, o INSS enfrenta um déficit histórico de servidores, com mais de 23 mil vagas abertas. Embora a contratação de novos assistentes sociais e analistas tenha sido anunciada, especialistas acreditam que ainda é pouco diante da demanda crescente.

Os sistemas operacionais do INSS também têm sido alvo de críticas. Muitos servidores relatam instabilidades, como lentidão e quedas no sistema, que prejudicam tanto o atendimento quanto a realização de perícias online. Em algumas situações, segurados chegam a ir às agências e não conseguem ser atendidos devido a falhas técnicas.

O trabalho remoto adotado por parte dos servidores também é um tema de discussão. O INSS está considerando dar mais autonomia às agências para acelerar as análises, mas há resistência entre os funcionários que preferem manter o home office. Alguns sindicatos relatam que muitos servidores nem estão mais residindo no Brasil.

Apesar de algumas melhorias e da redução em certos números, especialistas apontam que a meta de zerar a fila do INSS ainda está longe de ser atingida. O grande desafio continua sendo equilibrar a alta demanda com o déficit de servidores, os problemas nos sistemas e o envelhecimento da população. Enquanto isso, milhões de segurados seguem aguardando por análises que podem impactar diretamente suas vidas, sua saúde e sua sobrevivência financeira.

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