Muitos brasileiros enfrentam dificuldades para fechar as contas no final do mês, principalmente quando as dívidas começam a acumular. Nesses momentos, o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) surge como uma opção tentadora para aliviar as obrigações financeiras. Contudo, recorrer a esse recurso requer cautela.
Especialistas sugerem que é fundamental avaliar se essa é a melhor estratégia para lidar com dívidas ou se outras alternativas podem ser mais eficazes e sustentáveis para manter o saldo positivo.
Apesar de a quitação de dívidas não ser um uso previsto nas diretrizes do FGTS, uma brecha através do saque-aniversário permite ao trabalhador acessar o fundo no mês de seu aniversário. Após a retirada, ele tem a liberdade de usar esse dinheiro como achar apropriado, incluindo o pagamento de dívidas.
Além disso, existe a possibilidade de solicitar um empréstimo utilizando o FGTS como garantia, antecipando até sete saques-aniversários anuais. No entanto, vale lembrar que essa modalidade inclui juros e taxas adicionais, o que pode transformar o alívio temporário em um problema maior se não for bem administrado.

Avaliação financeira: Primeiro passo essencial
Antes de decidir usar o FGTS para quitar dívidas, é essencial realizar uma análise minuciosa da situação financeira. Isso inclui identificar todos os gastos e as fontes de renda disponíveis. Entender a estrutura de juros das dívidas e buscar maneiras de reduzir gastos desnecessários são passos fundamentais.
Cleicia Regina, especialista em planejamento financeiro, sugere que, além de cortar despesas, é necessário entender completamente os juros das dívidas atuais e calcular se o saque-aniversário do FGTS será suficiente para quitá-las.
Apesar de o FGTS não ser a primeira opção para sair das dívidas, em situações críticas, pode oferecer uma solução viável, desde que alinhada com o planejamento financeiro do trabalhador. Sem uma avaliação adequada, isso pode resultar em um ciclo de endividamento maior, o que todos desejam evitar.
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Estratégias alternativas para reduzir dívidas
Negociar dívidas é uma das alternativas mais recomendadas antes de decidir pelo uso do FGTS. Jonas Carvalho, CEO da Hike Capital, destaca a importância de buscar condições de pagamento mais razoáveis, como prazos maiores e juros reduzidos. Muitas vezes, credores estão abertos à negociação para evitar a inadimplência.
Além disso, Pedro Afonso Gomes, presidente do Corecon-SP, observa que as dívidas de cartão de crédito podem ser significativamente reduzidas, em até 80%, por meio de renegociação, que foca na redução de juros sobre as compras.
Para aqueles que buscam consolidar dívidas, um empréstimo com juros menores do que os atuais pode ser a chave.
Em vez de enfrentar várias dívidas a taxas elevadas, consolidar tudo em um único pagamento pode simplificar a vida financeira e ajudar a reduzir encargos totais. Dessa forma, prioriza-se a saúde financeira e minimiza-se os impactos negativos a longo prazo.
Quando optar pelo FGTS para quitar dívidas?
A decisão de usar o FGTS para pagar dívidas deve ser considerada em casos onde os juros da dívida excedem o lucro gerado pelo fundo.
O FGTS geralmente oferece um rendimento anual de cerca de 3%, mais a Taxa Referencial (TR). Isso é consideravelmente inferior aos juros do cartão de crédito ou cheque especial. Portanto, se os custos da dívida superarem esse ganho, o uso do FGTS pode ser justificado.
Porém, antes de qualquer retirada, é prudente tentar diminuir as dívidas ou negociar termos melhores com os credores. Usar o FGTS de maneira estratégica pode evitar que esse recurso valioso seja desperdiçado e pode contribuir para uma recuperação financeira sustentável.